Gerinho, mineirinho de uma cidadezinha chamada Além Pernambuco, gabava-se de que nunca precisou chamar um veterinário para cuidar de seus animais. Seu sítio era um primor! Lá, ele criava de tudo um pouco e, de forma empírica, tratava de seus bichos com maestria.
Um dia, numa conversa no bar de Chico Lambari, coroné Paulinho exaltava as qualidades de um de seus filhos, veterinário recém-formado por uma Universidade Federal, o qual havia desenvolvido uma técnica de conversar com todos os animais. Assim, ele ficava sabendo o que o pobre do animal estava sentindo e, então, o medicava de forma correta, curando-o com grande eficiência.
Ao ouvir isso, Gerinho não acreditou e ainda desdenhou dos dotes do jovem doutor para espanto de todos e revolta do coroné.
Para provar que o seu filho realmente conversava com os animais, coroné Paulinho ficou de levá-lo ao sítio de Gerinho, no dia seguinte, para que o mesmo mostrasse sua técnica e o fizesse engolir suas palavras.
No dia seguinte chegaram ao sítio e Gerinho, incrédulo, saiu caminhando com eles para ver se realmente aquilo que coroné Paulinho dissera, era verdade.
Logo, viram o cavalo de sela de Gerinho pastando. O Dr pediu que ficassem esperando e foi até ele. Relinchos daqui, relinchos dali, o jovem voltou e disse:
- Gerinho, lamento informar, mas o seu cavalo não está muito satisfeito com você, não! Ele reclamou que só come pasto, que você tem usado a espora sem dó nem piedade, há muito tempo não ganha um pouco de sal, a cocheira tem goteiras, etc, etc...
Gerinho olhou meio desconfiado para o jovem, mas não comentou nada.
Mais adiante, encontraram uma vaca leiteira pastando. O Dr novamente pediu que o aguardassem e foi até ela. Muge daqui, muge dali, logo, ele estava de volta dizendo:
- Gerinho, a vaca também reclamou de você. Disse que você só lhe dá pasto, que a ameaçou de mandá-la para o matadouro quando a produção de leite caiu, que você tem apertado-lhe as tetas em demasia, que há muito tempo não sabe qual é o gosto de sal, etc, etc...
Gerinho olhou meio desconfiado para o jovem, mas não comentou nada.
Continuaram a andar e encontraram um cachorro deitado na sombra de uma mangueira. Novamente, o Dr foi até lá conversar...
Latidos daqui, latidos dali, e logo o Dr retornou e foi dizendo:
- Gerinho, estou meio que decepcionado. O seu cachorro reclamou de muitos dias presos, diretos na coleira. A comida, ele diz que são apenas restos, nem um pedacinho de carne. Ração, então, nem pensar. Ossos, ele só come de galinha, sem falar nas surras que de vez em quando você lhe tem aplicado...
Gerinho olhou meio desconfiado para o jovem, mas, novamente, nada comentou.
Continuaram a andar e, mais à frente, lá estava uma cabra pastando. Mais uma vez, o Dr pediu que o esperassem...
Desta vez, Gerinho se antecipou e foi logo dizendo ao jovem Dr:
- Dotô, muito cuidado com essa cabra, viu? Desde piquititinha, de bem novinha, ela sempre foi muito mentirosa!...
terça-feira, 27 de maio de 2008
Em Além Pernambuco
Postado por Unknown às 02:35
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